O falso espiritista, a falsa espiritualidade e a manutenção da mentira
- Shely Pazzini
- 24 de nov. de 2020
- 3 min de leitura
O falso espiritista, a falsa espiritualidade e a manutenção da mentira
Mais um assunto delicado que sinto em compartilhar o meu interessante ponto de vista, num momento onde ainda procuramos desesperadamente fora, aquilo que sempre esteve em nós.
Mestres, instrutores, ascencionados, canalizadores, médiuns, videntes, sensitivos, santos, anjos, avatares.
Muitas são as denominações usadas para referenciar algo maior, que comunica, eleva, conecta ou que simplesmente É.
Ouço com frequência que, para mim, o entendimento de algumas coisas é mais fácil porque sou "espiritualizada". O meu interesse por esses assuntos é genuíno desde a infância, e isso sempre me trouxe muitas reflexões sobre o que é, de fato, ser alguém espiritualizado.
O próprio conceito de espiritualidade é limitado e normalmente distorcido.
Todos somos seres espirituais, vivendo essa experiência material. Isso é um fato. Todo o resto são apenas suposições.
As formas como cada um lida com o seu "eu superior" é tão pessoal quanto as nossas digitais.
Não existem fórmulas, receitas, passo a passo para "ensinar espiritualidade" a alguém.
O que existem são tentativas, exemplos, relatos.
O que serve para um, nem de longe é o que tocará o outro.
Considera-se alguém espiritualizado aquele que fala sobre assuntos que normalmente não são falados. Quem abdica de coisas materiais, quem estende a mão ao próximo.
Pessoas assim são interessadas em assuntos que a maioria não é, e nada mais - e isso não as faz melhores, muito menos "espiritualizadas".
Rótulos são apenas rótulos, não revelam o real conteúdo que habita no interior de cada um.
Qualquer um tem a capacidade de reproduzir conhecimento. São repetidores. Não necessariamente vivem o que replicam.
Vejo pessoas com vestes especiais, com cabeças raspadas, fazendo reverências, yoga, meditação, e pregando palavras sem ao menos conseguir harmonizar a relação pessoal com sua própria família. Mantém hábitos nocivos à sua própria saúde, se alimentam de sofrimento, julgam, são grosseiros, impacientes.
Falam de uma forma quando se colocam no papel de instrutores, mas não integram o que falam em sua própria vida. São incongruentes e nada propagam além de incoerências.
Uma pessoa espiritualizada é aquela que alcançou a integração entre o material e o imaterial. É compassiva, bondosa, usa palavras edificantes. Não se magoa nem sente raiva. Emana benevolência e amor. Pacifica e eleva os ambientes por onde passa.
No atual ciclo que vivemos, conhecemos alguém assim?
Conhecemos muitos seres tentando ser melhores, compartilhando suas experiências e pontos de vista.
Eles não são espiritualizados por isso. Estão apenas fazendo o que todos nós sabemos que devemos fazer - ser melhor a cada dia, lapidando nossos pensamentos, sentimentos, emoções, palavras, ações.
A vida está aqui para isso - para a cada dia nos tornar melhores do que fomos no dia anterior. Esse é o propósito humano nessa existência material. Isso está longe de um conceito puro de espiritualidade.
O desenvolvimento espiritual se dá a partir do silenciamento interno, que nada tem haver com a ausência de barulho externo.
Não é preciso se retirar no alto da montanha para alcançar um estado elevado de conexão com o imaterial; tudo o que se requer é uma atitude interna e nada mais.
Elevados são aqueles que em meio ao caos se mantém em equilíbrio e a disposição para auxiliar. Seres espiritualizados estão aqui para ajudar, sempre. Estão em prontidão independente da situação que se apresente. Despojam-se de si e fazem o que sabem ser necessário.
Espiritualidade não se compra. Se alcança com o caminhar, com os entendimentos que vão sendo feitos a partir de cada experiência.
Olhar para o alto e ignorar a necessidade presente aqui, neste agora, é continuar repetindo equívocos.
Enquanto não integrarmos ambos em nossas vidas, permaneceremos fazendo ensaios sobre o que é, de fato, ser alguém espiritualizado ou entender com maior amplidão sobre espiritualidade.
Assuntos espirituais precisam de novos olhares, atualização de conceitos, a partir de um estado de abertura e desenvolvimento da consciência. Se, da forma como entendemos isso permanecemos ainda, no ponto em que estamos, é porque devemos olhar para tudo de uma nova forma.
Enquanto velarmos assuntos, repetí-los cegamente ou simplesmente ignorarmos as necessidades presentes neste agora, permaneceremos reproduzindo mentiras que aprendemos a enxergar como verdades.
Lembrando que, para tudo existem excessões, e que aqui, tudo, absolutamente tudo, é apenas um interessante ponto de vista.
Quais são suas reflexões sobre esse assunto?
Quais integrações você alcançou até agora?
Como seria nos abrirmos para novas formas de relacionamento com a espiritualidade?
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